quinta-feira, setembro 08, 2005

Any way the wind blows...

Tive agora a ver um programa com testemunhos que sobreviveram ao Tsunami...

E em menos de um ano a Natureza lembrou-nos quem manda... com o furacão Katrina...


Quando explode uma bomba que tudo destroi, ao menos aí podemos odiar alguém... vingarmo-nos... fazer alguém pagar pelos estragos... mostrar a esse alguém que quem manda somos nós quando lhes fazemos pior... mas quando é a natureza que nos destroi... aí não há retaliação possivél... não há forma de controlar, nem de fazê-la pagar... pois afinal de contas ela é que está a ajustar contas connosco... e faz-nos pensar que apesar de toda a vida e da importância que as lutas do dia a dia têm para nós... nunca estamos livre de ficar sem nada...

Muitas vezes a minha avó conta que quando veio de Angola só os deixaram trazer 5 contos por pessoa... "5 contos daquilo que era deles"... "5 contos de 30 ano de trabalho e sacríficio para que voltassem com as poupanças para ter uma vida melhor"... e no entanto... 30 anos de trabalho ditaram apenas uma luta pela sobrevivência... um começar do zero perto dos 50 anos... e só alguém com força pode sobreviver bem do juízo a tamanho roubo...
Muitas vezes ela diz que foi isto que matou o meu avô...
Mas ela nunca desistiu... sem nunca ter pegado numa enchada, arregaçou as mangas e fez-se ao trabalho... apenas com um subsídio irrisório para quem tem de começar do zero, apenas com a casa dos pais... teve de cultivar a terra para se alimentar... teve de ter sangue frio e acalmar a revolta, antes que a revolta tomasse conta dela...

Aquando do Tsunami, o relato de uma mãe que perdeu no meio das ondas a família chocou-me... as ondas arrastaram os 3 filhos um para cada lado e o marido para outro... a sorte ditou que o pai e os irmãos se encontrassem e não se perdessem... mas a mãe estava desaparecida e todos já a julgavam morta...
Enquanto isso... a mãe, viva, achava que toda a sua família estava morta... e sozinha, sem saber do paradeiro de ninguém começava a perder as forças para lutar contra a maré... para lutar por uma sobrevivência que ela não queria se fosse só ela a sobreviver...
E compreende-se... que qualidade de vida tería ela se simplesmente lutasse pela sua sobrevivência, na esperança de encontrar os seus familiares... e no fim de tudo descobrir que apenas ela tinha sobrevivido... como é que vive uma pessoa que perde toda a família e sobrevive? Luta-se para ter a felicidade de se ter uma família... e dpois perder isso é duro demais... Ela chegou a querer morrer... ao pensar nisto... até que alguém lhe disse que a sua família estava bem e que andavam a procura dela...


Queen - Too much love will kill you


Outro testemunho relata quando se sentia afogar não pensava que ía morrer... que o nosso instinto animal de sobrevivência apura-se... e nós somos levados a decidir segundo a segundo o que fazer para sobrevivermos... a cada obstáculo que surge, luta-se por simplesmente ultrapassá-lo, para apenas viver até ao obstáculo seguinte...
Este testemunho perdeu um amigo... escorregou-se-lhe praticamente da mão... mas nunca desistiu... era um espírito livre... lutador, independente... lutou pela sua sobrevivência sem cessar pois não tinha motivos para morrer...

No entanto a fragilidade humana ultrapassa os limites da destruição, do desamparo, da revolta... a nossa fragilidade culmina num trauma que nunca nos fará esquecer o que de dramático se vive... e esse é o meu maior medo... não é não sobreviver, mesmo pior que morrer... é viver sozinha com todos os meus sonhos destruidos... pelo Homem ou pela Natureza...

E é assim que às vezes me consciencializo da pequenez das minhas lutas... que mesmo quando viram derrotas não me fazem duvidar de continuar a lutar... mas ao mesmo tempo quanto mais luto... mais medo tenho que venha algo e deite tudo por terra... e quanto mais medo tenho disso... mais medo tenho de lutar demasiado... de me perder em lutas insignificantes que quando tudo for a baixo não vão significar nada... porque aquilo pelo qual deveria lutar era por fortalecer-me psicologicamente... e só ai, quando percebesse que sobrevivería a tudo... aí deixaría de recear o futuro e fazer da vida uma luta como forma de sobrevivência...


Nothing really matters,
Anyone can see,
Nothing really matters-,
nothing really matters to me,


Any way the wind blows....


Queen - Bohemian Rhapsody



2 Comments:

At 08 setembro, 2005 23:39, Anonymous Anónimo said...

Nice post! nc devemos perder a esperança, ou desistir, e a "morte" nem smp é o mlhr caminho pa escapar aos problemas, ha k saber enfrenta-los de cabeça erguida por mais k custe! ;) fraco o comment..sorry =) [[*]]

 
At 20 setembro, 2005 21:27, Blogger Pomegranate said...

Os escorpiões são vingativos... lolol pq ir contra a nossa natureza? :-P eheheh

 

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