Any way the wind blows...
Tive agora a ver um programa com testemunhos que sobreviveram ao Tsunami...
E em menos de um ano a Natureza lembrou-nos quem manda... com o furacão Katrina...
Quando explode uma bomba que tudo destroi, ao menos aí podemos odiar alguém... vingarmo-nos... fazer alguém pagar pelos estragos... mostrar a esse alguém que quem manda somos nós quando lhes fazemos pior... mas quando é a natureza que nos destroi... aí não há retaliação possivél... não há forma de controlar, nem de fazê-la pagar... pois afinal de contas ela é que está a ajustar contas connosco... e faz-nos pensar que apesar de toda a vida e da importância que as lutas do dia a dia têm para nós... nunca estamos livre de ficar sem nada...
Muitas vezes a minha avó conta que quando veio de Angola só os deixaram trazer 5 contos por pessoa... "5 contos daquilo que era deles"... "5 contos de 30 ano de trabalho e sacríficio para que voltassem com as poupanças para ter uma vida melhor"... e no entanto... 30 anos de trabalho ditaram apenas uma luta pela sobrevivência... um começar do zero perto dos 50 anos... e só alguém com força pode sobreviver bem do juízo a tamanho roubo...
Muitas vezes ela diz que foi isto que matou o meu avô...
Mas ela nunca desistiu... sem nunca ter pegado numa enchada, arregaçou as mangas e fez-se ao trabalho... apenas com um subsídio irrisório para quem tem de começar do zero, apenas com a casa dos pais... teve de cultivar a terra para se alimentar... teve de ter sangue frio e acalmar a revolta, antes que a revolta tomasse conta dela...
Aquando do Tsunami, o relato de uma mãe que perdeu no meio das ondas a família chocou-me... as ondas arrastaram os 3 filhos um para cada lado e o marido para outro... a sorte ditou que o pai e os irmãos se encontrassem e não se perdessem... mas a mãe estava desaparecida e todos já a julgavam morta...
Enquanto isso... a mãe, viva, achava que toda a sua família estava morta... e sozinha, sem saber do paradeiro de ninguém começava a perder as forças para lutar contra a maré... para lutar por uma sobrevivência que ela não queria se fosse só ela a sobreviver...
E compreende-se... que qualidade de vida tería ela se simplesmente lutasse pela sua sobrevivência, na esperança de encontrar os seus familiares... e no fim de tudo descobrir que apenas ela tinha sobrevivido... como é que vive uma pessoa que perde toda a família e sobrevive? Luta-se para ter a felicidade de se ter uma família... e dpois perder isso é duro demais... Ela chegou a querer morrer... ao pensar nisto... até que alguém lhe disse que a sua família estava bem e que andavam a procura dela...
Outro testemunho relata quando se sentia afogar não pensava que ía morrer... que o nosso instinto animal de sobrevivência apura-se... e nós somos levados a decidir segundo a segundo o que fazer para sobrevivermos... a cada obstáculo que surge, luta-se por simplesmente ultrapassá-lo, para apenas viver até ao obstáculo seguinte...
Este testemunho perdeu um amigo... escorregou-se-lhe praticamente da mão... mas nunca desistiu... era um espírito livre... lutador, independente... lutou pela sua sobrevivência sem cessar pois não tinha motivos para morrer...
No entanto a fragilidade humana ultrapassa os limites da destruição, do desamparo, da revolta... a nossa fragilidade culmina num trauma que nunca nos fará esquecer o que de dramático se vive... e esse é o meu maior medo... não é não sobreviver, mesmo pior que morrer... é viver sozinha com todos os meus sonhos destruidos... pelo Homem ou pela Natureza...
E é assim que às vezes me consciencializo da pequenez das minhas lutas... que mesmo quando viram derrotas não me fazem duvidar de continuar a lutar... mas ao mesmo tempo quanto mais luto... mais medo tenho que venha algo e deite tudo por terra... e quanto mais medo tenho disso... mais medo tenho de lutar demasiado... de me perder em lutas insignificantes que quando tudo for a baixo não vão significar nada... porque aquilo pelo qual deveria lutar era por fortalecer-me psicologicamente... e só ai, quando percebesse que sobrevivería a tudo... aí deixaría de recear o futuro e fazer da vida uma luta como forma de sobrevivência...
Queen - Bohemian Rhapsody
E em menos de um ano a Natureza lembrou-nos quem manda... com o furacão Katrina...
Quando explode uma bomba que tudo destroi, ao menos aí podemos odiar alguém... vingarmo-nos... fazer alguém pagar pelos estragos... mostrar a esse alguém que quem manda somos nós quando lhes fazemos pior... mas quando é a natureza que nos destroi... aí não há retaliação possivél... não há forma de controlar, nem de fazê-la pagar... pois afinal de contas ela é que está a ajustar contas connosco... e faz-nos pensar que apesar de toda a vida e da importância que as lutas do dia a dia têm para nós... nunca estamos livre de ficar sem nada...
Muitas vezes a minha avó conta que quando veio de Angola só os deixaram trazer 5 contos por pessoa... "5 contos daquilo que era deles"... "5 contos de 30 ano de trabalho e sacríficio para que voltassem com as poupanças para ter uma vida melhor"... e no entanto... 30 anos de trabalho ditaram apenas uma luta pela sobrevivência... um começar do zero perto dos 50 anos... e só alguém com força pode sobreviver bem do juízo a tamanho roubo...
Muitas vezes ela diz que foi isto que matou o meu avô...
Mas ela nunca desistiu... sem nunca ter pegado numa enchada, arregaçou as mangas e fez-se ao trabalho... apenas com um subsídio irrisório para quem tem de começar do zero, apenas com a casa dos pais... teve de cultivar a terra para se alimentar... teve de ter sangue frio e acalmar a revolta, antes que a revolta tomasse conta dela...
Aquando do Tsunami, o relato de uma mãe que perdeu no meio das ondas a família chocou-me... as ondas arrastaram os 3 filhos um para cada lado e o marido para outro... a sorte ditou que o pai e os irmãos se encontrassem e não se perdessem... mas a mãe estava desaparecida e todos já a julgavam morta...
Enquanto isso... a mãe, viva, achava que toda a sua família estava morta... e sozinha, sem saber do paradeiro de ninguém começava a perder as forças para lutar contra a maré... para lutar por uma sobrevivência que ela não queria se fosse só ela a sobreviver...
E compreende-se... que qualidade de vida tería ela se simplesmente lutasse pela sua sobrevivência, na esperança de encontrar os seus familiares... e no fim de tudo descobrir que apenas ela tinha sobrevivido... como é que vive uma pessoa que perde toda a família e sobrevive? Luta-se para ter a felicidade de se ter uma família... e dpois perder isso é duro demais... Ela chegou a querer morrer... ao pensar nisto... até que alguém lhe disse que a sua família estava bem e que andavam a procura dela...
Too much love will kill you
Just as sure as none at all
It'll drain the power that's in you
Make you plead and scream and crawl
And the pain will make you crazy
You're the victim of your crime
Too much love will kill you every time
Just as sure as none at all
It'll drain the power that's in you
Make you plead and scream and crawl
And the pain will make you crazy
You're the victim of your crime
Too much love will kill you every time
Queen - Too much love will kill you
Outro testemunho relata quando se sentia afogar não pensava que ía morrer... que o nosso instinto animal de sobrevivência apura-se... e nós somos levados a decidir segundo a segundo o que fazer para sobrevivermos... a cada obstáculo que surge, luta-se por simplesmente ultrapassá-lo, para apenas viver até ao obstáculo seguinte...
Este testemunho perdeu um amigo... escorregou-se-lhe praticamente da mão... mas nunca desistiu... era um espírito livre... lutador, independente... lutou pela sua sobrevivência sem cessar pois não tinha motivos para morrer...
No entanto a fragilidade humana ultrapassa os limites da destruição, do desamparo, da revolta... a nossa fragilidade culmina num trauma que nunca nos fará esquecer o que de dramático se vive... e esse é o meu maior medo... não é não sobreviver, mesmo pior que morrer... é viver sozinha com todos os meus sonhos destruidos... pelo Homem ou pela Natureza...
E é assim que às vezes me consciencializo da pequenez das minhas lutas... que mesmo quando viram derrotas não me fazem duvidar de continuar a lutar... mas ao mesmo tempo quanto mais luto... mais medo tenho que venha algo e deite tudo por terra... e quanto mais medo tenho disso... mais medo tenho de lutar demasiado... de me perder em lutas insignificantes que quando tudo for a baixo não vão significar nada... porque aquilo pelo qual deveria lutar era por fortalecer-me psicologicamente... e só ai, quando percebesse que sobrevivería a tudo... aí deixaría de recear o futuro e fazer da vida uma luta como forma de sobrevivência...
Nothing really matters,
Anyone can see,
Nothing really matters-,
nothing really matters to me,
Any way the wind blows....
Anyone can see,
Nothing really matters-,
nothing really matters to me,
Any way the wind blows....
Queen - Bohemian Rhapsody


2 Comments:
Nice post! nc devemos perder a esperança, ou desistir, e a "morte" nem smp é o mlhr caminho pa escapar aos problemas, ha k saber enfrenta-los de cabeça erguida por mais k custe! ;) fraco o comment..sorry =) [[*]]
Os escorpiões são vingativos... lolol pq ir contra a nossa natureza? :-P eheheh
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