terça-feira, agosto 01, 2006

Tenho um buraco no coração... do tamanho de Praga!

Foram semanas marcantes sem dúvida... em que me diverti imenso... sei que se perdeu muito nos confins da minha má memória... e muita coisa continuaria a perder se não escrevesse já o pouco que resta...
É dificil fazer um diário de bordo decente... não escrevi durante toda a estadia e é dificil para mim datar todos os acontecimentos...

Metemo-nos no avião dia 5 de Julho ainda cedo... as despedidas foram rápidas e sem lamechices como eu gosto... já estavamos um grupo grande para apanhar o avião e o drama do excesso de carga já assombrava várias aldeias... eu lá me safei :P Já no avião o panico de certas almas que voavam pela primeira vez nos entretinham, além de penteados que a Isa se pôs a fazer-me que mais pareciam tripas e a Idade do Gelo que dava sem som nem legendas nos mini ecrãs...
Uma viagem tranquila, um descolar e aterrar suaves e agradáveis...
Chegámos já tinhamos uma grande grupo de checos à nossa espera e o Luis e o Nuno que "nunca é demais lembrar que estavam lá há já 5 dias!" LOL...

Metemo-nos num autocarro, mais as malas e mais os checos e lá fomos para a que sería nos próximos 25 dias a nossa "Home sweet home!"... ui, uns quarto quentissimos, abafados, duplos, sem cortinados e que partilhavam a casa de banho com outro quarto igual... deixámos lá as malas e fomos dar uma volta de reconhecimento pelo Campus... Na altura o Campus parecia-me uma coisa absurdamente grande e confusa... a meio do passeio já não sabia o caminho de regresso!! Mas agora percebo que nem era assim tãaooooo enorme!

Tinha piscina, tinha campos de futebol, de volley de praia, grandes espaços verdes... e à volta tinha assim uma urbanizaçãozita com alguns minimercados e alguns restaurantes e atravessando um cruzamento tinhamos duas paragens de autocarro que nos levavam para o centro da cidade, que não me cansei a perceber muito bem como funcionavam porque também não fazia intenção de ir po centro sozinha e alguém havia de dominar aqueles mecanismos!

Nesse dia jogava Portugal, o que veio a ser o último jogo sofrido do mundial... mas nós cheios de fé, junto dos checos com camisolas de Portugal... (que bem lhes fica o Verde e Vermelho:) ali a sofrer... jantámos cedo lá no restaurante do Campus, ainda fizemos umas brincadeiras e fomos ver o jogo da derrota... Se ganhássemos acho que tería havido festa até as tantas, porque távamos mesmo com espírito de festa! Fomos para os quartos... estendemos as colchas no chão e ficamos a jogar as cartas ora no meu quarto, ora no quarto do Luis... deitámo-nos por volta da 1h... dormi mal, sempre a acordar... especialmente quando vi o sol a entrar de rompante pelo quarto a dentro ainda não eram 5h da manhã!! Fiquei mesmo chocada com o amanhecer tão cedo... coisa que só me fez acordar na primeira noite, pois nas seguintes foi sempre a deitar tarde e tão estoirada que nem calor, nem sol me acordaram!!

No dia seguinte tivemos o primeiro dia de aulas, assim mais tipo apresentação, numa sala toda moderna... não foram precisos muitos dias para nos pormos a mexer lá nos aparelhos e nos estores eléctricos e na tela que descia automaticamente, no projector que filmava e que não tinha espelhos comos os retroprojectores tugas... muito há frente!! Colunas e computador com internet! Grande auditorio para ter aulas... fazia um bocado de frio às vezes... mas aguentava-se!

À tarde fomos dar um passeio a correr pela cidade, pelo castelo, pela famosissima ponte que foi construida com uma argamassa de vinho e ovos e por isso a lenda conta que nunca cairá até chegarmos ao relógio que por minutos falhámos a hora em que os bonecos mechem... a vaidade e os outros que eu não sei o nome abanam a cabeça que "sim" e o esqueleto em sinal da morte abana a cabeça que "não", para nos lembrar que isto não dura para sempre... explicações do Boris que sempre nos acompanhou!
Jantámos pelo centro, eu perguntei qual era o prato típico e recomendaram-me o famoso goulash... não sabia eu que ía levar com aquilo vezes suficientes até me enjoar! LOL portanto, o goulash é basicamente um prato de carne tipo assada às fatias, com um molho a inundar todo o prato, barrada com compota de frutos silvestres e uma noz de chantilly por cima, acompanhada de, normalmente 4, fatias de dumplings! Hummm... lool uma argamassa tipo pão às fatias em formato de batata cozida, que resulta da mistura de farinha, com ovos, batata e sabe-se lá mais o quê... que tem um sabor algo intenso e enjoativo! Mas para experimentar eu até gostei bastante!!
Já estavam todos rotos depois do passeio por Praga, mas eu e mais uns poucos fomos sair para a "maior discoteca da Europa Central" - Karlovy Lenz... eu gostei! Só turistas basicamente ou então putos! lool Encontrámos lá uns espanhois muito simpáticos que estavam a fazer interrail, ainda jogámos uma partida de matraquilhos com eles... o Luis metia conversa com toda a gente, e depois apresentavamos dizendo "conheci-o quando vi cá no Verão passado, somos muito amigos" e os rapazes ficavam a conversar comigo à parva... lool foi muito divertido!!

Apanhámos um taxi para casa, ou melhor 2, porque eramos muitos e deslizámos alucinantemente até ao Campus, graças ao Nuno que tinha num papel o nome onde isto ficava... porque isto de nomes naquela terra só à 20ª vez é que s conseguem decorar aqueles sons estranhos como "Dikuji", "Na zdraví", "Devijcka"... ou coisas assim do género (respectivamente, "Obrigada", "Saúde!!", e o nome da estação do metro onde tinhamos de sair para apanhar o autocarro apra casa!!:P) ... ao menos os palavõres eram mais fáceis de aprender... a nossa simples palavra "Curva", significa na língua deles "P*ta" e quando me lembro desta palavra, lembro-me sempre da história que o senhor convidado da embaixada portuguesa contou de uns empresários que queria ir para lá instalar uma loja ou fábrica, já não sei bem, de roupa com esse nome precisamente... tinham de ser tugas!! LOL

Sexta-feira, dia 7 de Julho, tivemos a nossa primeira visita de estudo! À Budweiser que se lê: "Bood-vai-zer" (e não "Baad-why-zer" estilo à americana!) Ainda dormimos um pouco na camoineta até lá chegar e tivemos uma visita guiada com uma senhora muito sorridente com um sotaque russo daqueles que nos impede de perceber metade do inglês que fala... passámos por zonas abafadissimas e com aquele enjoativo cheiro a malte e cevada e por zonas geladas com -2º onde se realizaram as provas! Eles são muito espertos! Metem-nos a beber num sitio gelado, em que a gente está desejosos é de sair de lá, para não bebermos muito!! Lá provámos, nem me soube muito bem, lá gelamos e lá viemos cá pra fora... na verdade tenho pena de não ter percebido o inglês a senhora, coitada, é que a duas fábricas de cerveja fui, sei as máquinas que são precisas e tudo, mas não percebi nem metade como é que se fabrica cerveja! Tenho de investigar na net!!
Nesse mesmo dia ainda fomos visitar uma Vila linda no sul da Républica Checa, Cesky Krumlov! Obviamente que estou a copiar este nome esquisito de um postal que eu comprei, porque para decorar estes nomes marados a minha cabeça não é grande coisa! Comprei um postal com o que vi num dia soalheiro, cheio de neve... fica lindo das duas maneiras... só me deu vontade de lá ir no Inverno também!
A vila é amorosíssima!! Tem um riacho a atravessá-la, várias pontes de madeira lindas, casinahs com florinhas vermelhas nos parapeitos, muitas canoas a descer o rio... disseram que era um local de férias para os checos que não querem gastar muito dinheiro! Subimos até ao castelo da vilazinha e tivemos uma visita guiada algo secante, com um guia algo esquisito... com uns tiques irritantes a falar, alto e esguiu... com ar de freak! Depois deram-nos tempo livre para visitar a Vila com hora marcada as 18h para jantar num restaurante que apenas tinhamos o nome... um nome esquisito que facilmente demos com aquilo a perguntar aqui e além!

Depois de jantar metemo-nos no autocarro já tarde para conseguir apanhar um comboio para Viena para lá passar o fim-de-semana... e pior! Começou a chover imenso e a trovejar sem parar até chegarmos ao Campus o que nos fez quase desistir da ideia de sair no fim-de-semana... mas no dia seguinte já não chovia então depois de muitas hipóteses estudar, decidimos ir alugar dois carros e ir para a Polónia, passar o fim-de-semana em Krakóvia... aquela que acabou por ser, vendo agora de longe, uma das experiências mais marcantes dos dias away... De comboio seriam cerca de 8h horas até à Polónia, de carro falavam-se em 5h... então, mãos ao voltante! Lá fomos nós!... Arrancámos de Praga já relativamente tarde, descemos pela autoestrada, almoçámos num Centro Comercial Olympus que quando apareceu, mais parecia uma oásis no meio de nenhures... Enchemos o depósito, que a gasolina estava a 22 coroas checas, ou seja, cerca de 78 cêntimos o litro...
A Ana Inês que foi a conduzir desde que atestámos o depósito e ía no carro da frente, despassarada como sempre, passou um sinal vermelho estranho que estáva antes de uma ponte... o sinal realmente quase não se via... mas nós, do 2º carro, ficámos lá parados ainda imenso tempo... até já estávamos a estranahr e quase a sair dos carros para ver o que estava mais a frente... um bom tempo depois lá ficou verde e percebemos que era a fronteira para a Polónia! O fiscal percebeu que eramos portugueses como o carro da frente e pôs-se a dizer uma larachas meias espanhueladas a pensar que nós percebiamos, leu os nossos nomes através dos BIs, com aquele sotaque magnífico e deu ordens para seguirmos... mais à frente quando nos encontrámos com o carro da Ana Inês eles contaram-nos que o fiscal disse que ela tinha passado a "red light" ao que ela só respondia que não entendia!!! LOL
Depois de 5h de condução lá estavamos nós na Polónia... a felicidade era tanta que apitávamos e acenávamos a todos os que passávam! Crianças, velhos, paragens de autocarro, tudo... como dizia o João "Aí está o belo do tuga! Chega à Polónia e conhece toda a gente!!" Foi uma diversão!!! A Andreia até ficou com nódoas negras no braço de tanto apoiar o braço à janela para dizer adeus às pessoas! LOL Seguimos viagem na descontra até que... PORTAGEM... e... Ups!! A moeda não é a mesma!!! Só temos coroas checas e Euros... xiii e nem nos lembrámos de parar para levantar Zlotis depois da fronteira!! O que vale é que aceitaram os nossos Euros! O carro dos nossos que ía à frente pagou a nossa portagem também e seguimos viagem... O Nuno estáva perfeitamente orientado! Nunca tinha estado na Polónia! Não tinha mapa... mas estava confiante! Até que não deu mais e parámos numa estação de serviço e comprámos um mapa! LOL mais uma vez em Euros. Eu tinha no telémovel uma taxa de câmbio de 1 Euro = 4 Zlotis +- e foi essa que nos cobraram.

Tinham nos dito que de Praga a Krakóvia eram 5h... e nós já tinhamos viajado quase 6h... diga-se aqui out-of-the-record que a exceder todos os limites de velocidade... mesmo nas desordenadas autoestradas checas que tinha pinos a meio da estrada, depois de curvas com desvios e estreitamentos de faixas sem qualquer aviso prévio... um perigo mesmo, mas isto também não é para se saber!! Então na estação de serviço as simpáticas polacas disseram-nos que Krakóvia ficava a cerca de uma hora dali e explicaram-nos como lá chegar através do mapa... ou seja... até Krakóvia iriamos demorar no total cerca de 7h... que acabaram por se esticar para as quase 8h... a exceder todos os limites... daí que até hoje não percebemos que caminho nos levava até lá em 5h apenas!

Chegámos a Krakóvia, procurámos pouco e logo encontrámos um hotel enorme e com ar de baratuxo em que sem visitar qualquer outro nos aposentámos por 14 euros por pessoa! Eles não tinham camas extra e nós eramos 9 para dois quartos quadruplos, por isso juntámos duas camas e eu dormi no meio de duas... Não era mau o hotel... sempre tinha cortinados e era mais fresco que os dormitórios la no Campus!! Nós continuavamos tesos de Zlotis então deixámos lá uns BIs para reservar os quartos e voltámos tarde!

Fomos até ao centro de carro, estacionámos por lá, e passeámos por lá até chegar a uma grande Praça com muita animação de rua... música, marionetas... uma luz e vida próprias que me encantaram e me fizeram lembrar Espanha e a vida que só as suas ruas têm... jantámos num restaurante com música jazz ao vivo que tinha um ecrã numa parede, na qual ía dar o jogo de Portugal e fizémos as nossas festas habituais... o Luis a pedir uma "romantic song" para a Isa... e porem-se a dançar lá no meio... eramos os únicos que interrompiam o jogo para bater palmas para a banda de jazz... e no fim daquela festa toda quiseram ficar-nos com o troco! Depois de muita palhaçada e muito esperar já não me lembro bem... mas acho que o Luis lá foi pedir e lá nos deram e nós bazámos a rir à parva de toda a situação!

Depois já na rua andámos a fazer palhaçadas... a dançar o woogie-boogie, a polícia a aparecer, a Raquel a gritar "Olha a bófia! Olha a bófia!" e nós todos de braços atrás das costas, a assobia feitos parvos para disfarçar que tavamos a dançar aquela dança parva! Metiamo-nos com as pessoas, brincávamos às sombras atrás de quem passava... os rapazes metiam conversa com as polacas e perguntavam qual era a disco da moda... e depois de muita palhaçada lá fomos para a disco da moda onde encontrámos as simpáticas polacas e um rapaz que só dizia "You are amazing!!! You are fantastic!!", por ver o Luís a dançar muito agarrado à Raquel e à Isa... e ver o Luís a meter-se com as raparigas para dançar e no fim acabar só com gays à volta dele! Ai... que dia divertido, que noite magnifica mesmo!! Lá voltámos para o nosso hotel, desta vez com dinheiro...

No dia seguinte metemo-nos a caminho de Auschwitz para ver o campo de concentração... acho que ninguém tem mesmo a noção... visitámos apenas o campo mais pequeno... o primeiro, pois mais tarde foi construído um outro não muito longe dali cerca de dez vezes maior área que este. A entrada era gratuita sem guia... com guia devia ser giro... mas se já sem guia demoramos o tempo que demorámos, com guia não estou a imaginar! Além disso ao longo de todo o percurso havia tabletas explicativas com história e factos. Percebi que só assim se aprende história como deve ser... indo aos sitios! Estando nos corredores onde foram experimentadas as primeiras formas de camaras de gás... vendo os rostos, as fardas, os dormitórios de palha... as más condições... a parede onde eram abatidos, as prisões... as exposições que valem imenso apena com bocados de história, fotografias, frases de Hitler, nomes e datas infindáveis... A visita a Auschwitz I, onde morreram 70.000 pessoas é assustador... ver o arame farpado, os edificios de tijolo... os fornos onde eram queimados... faz-nos pensar nas proporções da demência humana... uma demência que não foi há muito mais de 50 anos... demasiado recente para muitas famílias... quase inimaginávél para nós jovens portugueses que nunca vivemos nenhuma guerra...

Demos mais uma voltinha a pé por Krakóvia, jantámos lá numa esplanada na Praça central mais uma vez e fizémos o que considero o caminho de regresso a casa mais doido que já vivi...
Numa de paródia andámos a sortear os tripulantes e os co-pilotos de cada carro durante o jantar... depois de umas trocas a Ana Inês ficou a co-pilotar o carro da frente... vai volta e não volta, já na República Checa... já noite cerrada... perdemo-nos!!!

Metemo-nos lá por uma serra... isto porque o mapa dizia uma coisa e as placas tavam erradas LOL... o carro a subir a serra, a temperatura a descer, o cansaço a apertar... a paciencia a esgotar-se... passámos por veados a beira de saltar para a estrada, nevoeiro, vontades subidas de despejar as águas a meio da serra que nos obrigaram a parar e a fazer ali mesmo pelo meio das árvores... lá encontramos a autoestrada... e que entrada esquisita!! mas também das estradas checas já tudo esperava até que vi que pisámos um traço contínuo e percebo... Entramos fora de mão na autoestrada!!!! A sorte é que não tava grande movimento naquele preciso momento e voltámos a inverter a marcha como se nada fosse... ai santo Deus... que noite!! Já andava tudo passado no meu carro... o João barafustava... que eramos uns putos... que não podia recriminar o Luis da asneirada, porque já não eram horas para se estar a conduzir há tantas horas... uff... foi o caminho para casa mais longo que já tive... fiquei para morrer quando já o sol tentava estragar a escuridão e vejo uma placa que dizia: PRAHA 199 km. Aiiii ainda faltavam 200 km para chegar a casa!!! Casa!!! Já chamava aquela residência CASA!!!
Chegámos por volta das 6h da manhã... foi uma directa sempre a conduzir... demorámos mais de 9h por nos termos perdido lá na serra... largámos os carros, apanhámos os transportes para casa, tomámos um banho e fomos para as aulas... Aii... os meus olhinhos a fechar e eu podre de sono... foi duro!! À tarde houve um torneio de futbol de checos contra potugueses ou americanos contra portugueses, não sei... mas nós ficámos a ressacar a tarde toda no Vale dos Lençois... com calor, sol de chapa... mas dormimos!
No dia seguinte, na terça-feira, 11 de Julho, havia visita de estudo à Skoda e ao Czech Paradise... acordar cedo, camioneta... pouco dormir... e lá estavamos nós na "Xcoda" como eles dizem! Foi interessante... mas estava a espera de ver mais da linha de montagem... aquilo foi tipo "1, 2, 3 já não vale"... Numa apresentação que houve lá na Skoda foi a galhofa total... o homem coitado a falar e tudo a dormir... até o nosso prof! Os checos descalços na fila da frente como se estivessem em casa... ai... "Only with Czechs!!"...
Mas o Czech Paradise vale muito a pena... dá vontade de nos perdermos lá em caminhos por descobrir, passar pelas escadinhas por entre as rochas... e procurar insesantemente o lago que não encontrámos... as fotos falam por si... aquilo é lindo... mais uma vez fiquei curiosa de visitar aquilo no Inverno com toneladas de neve pelo chão... deve ser bem giro esquiar pelo Czech Paradise abaixo! =)

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