terça-feira, junho 13, 2006

Uma noite de santos...

Inesquecível... grande noite a dos Santos Populares de Lisboa... acho que sería uma mísera inculta se fosse para o estrangeiro e nunca experimentasse uma verdadeira noite de Santos...

Se por um lado encontrar o pessoal conhecido é dificil, por outro é isso que diverte... andarmos perdidos por Alfama à procura da Igreja de S. Miguel foi uma aventura... Andarmos a procura uns dos outros foi o que nos fez percorrer as ruelas pitorescas que irei recordar sempre com saudade desta noite e com saudade de nunca as ter conhecido antes com o olhar de turista que quem mora perto de Lisboa perde... e perde muito mesmo... fiquei com vontade, e espero concretizar esse desejo, de um dia percorrer cada ruela daqueles característicos bairros Lisboetas e apreciar cada recanto como uma estrangeira, de dia, de noite, com um belo jantar numa casa de fados... ai Lisboa... Ai noite de Santos...

Ai não esquecerei não... as indicações maravilhosas e os pontos de encontro magníficos tipo: "estamos em Alfama, depois da barra das comidas!" ou... "Vês duas linhas do eléctrico? Segue a da direita..." (sem sabermos se era para subir ou para descer!!LOOL) ... seja como for... lá demos com a estatua e depois de muitos Jorginhos encontrarmos pelo caminho até encontrá-lo, como os nossos gritos em coro, lá demos com ele... e lá está, se demos com o Jorginho (baixinho), então encontraremos qualquer pessoa... lá descemos por ruas e escadarias... passámos por senhoras de olhos de fundo de garrafa à janela... tropeçámos entre a multidão até chegarmos ao nosso destino, ao encontro do resto da malta...

Como gosto de multidões... como gosto da juventude que se cruza, do espírito da noite, da alegria de uma música pimba... do gozo de cantar sem saber letras... de pular e dançar até doer as pernas... das risadas e dos encontrões... das cervejas entornadas... ai como gosto de ruas cheias... e olhar a volta e ver todos alegres e bem dispostos na diversão de uma noite na rua... sentir a temperatura de uma noite bem passada, ver a dedicação, o espírito de bairro que nunca senti... o empenho de todos, o esforço para a concertização destas festas... a amabilidade incansável para dar indicações a quem se perde, para ajudar quem precisa... valeu bem a pena...

E mesmo quando chega a altura do aperto... e os becos se transformam em WCs... há sempre a casa de um amigo de um amigo de um amigo que nos recebe em festa... uma inacreditável invasão de privacidade entendida como tradição... uma boa fé em quem entra em casa... um agradecimento ao Leitão que não conheço, nem vou conhecer mas que me albergou a mim e outra desconhecida no WC... LOL

E depois com o cansaço acumulado de subir até ao Castelo para te encontrar e te desencontrar... se te visse desmanchava-me aos bocados... mas não te vi... com pena minha também... lá nos despedimos da noite sem sentir mais as pernas e os pés... e fomos descendo... descendo até ao rio... e depois até ao cais do sodré onde nem autocarros serviam, nem taxis chegaram... e continuamos até Santos onde finalmente um Taxi aceitou levar-nos aos cinco...

Só me dá vontade que o tempo de festa chegue... que chegue Praga, que chegue Granada... ai... que vontade de viver... de buscar em cada noite uma motivo egoísta para ser feliz... viver a noite com a especialidade com que vivo... com a emoção que nela deposito... aii... gosto de dias felizes... gosto de noites felizes entre a multidão... gosto da Lisboa que não conheço... gosto da felicidade pitificada... da alegria de sair sem hora de chegada... da liberdade... gosto desta liberdade que me enche mais, demais e transborda... sim, quero mais noites assim...